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O que é e por que alguém estuda a leitura?
De como chegamos aqui: crítica e autobiografia
O grupo Criação e crítica convida a todos para o seu:
22º seminário
De como chegamos aqui: crítica e autobiografia
por Ana Amelia Coelho
data: 25/11/11, às 16h
Sala: 169
Para ter acesso ao texto, visite o site de nossa revista
http://www.fflch.usp.br/dlm/criacaoecritica
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Defesa da tese A PESQUISA (in)FINITA DAS COISAS – GEORGES PEREC E A ARTE DO DESIMPORTANTE, de Manlio Speranzini

“Malheur aux barbus”, de Arman, 1960.
O grupo Criação e crítica informa a defesa da tese de doutoramento de Manlio Speranzini, membro do grupo
dia 29 de novembro, terça-feira
às 15h, na sala 116 (capacidade 30 pessoas)
no prédio da Administração, R. do Lago, 717, Cidade Universitária
farão parte da banca:
Betina Bischof (FFLCH)
Marcos Natali (FFLCH)
Marcia Maria Arbex (UFMG)
Maria Ester Borges (UFMG)
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Encontro de pós-graduandos
Nesta semana ocorre na FFLCH-USP o VI EPOG (Encontro de Pós-Graduandos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas). Dentre os inúmeros trabalhos apresentados, indicamos abaixo os de nossos colegas do grupo Criação e Crítica:
Mesa: 68 | A Representação de si: Biografias e Subjetividade|
Prédio: Letras | Sala: 110 |
Coordenador(a): Profa. Dra. Betina Bischof
Adriano Rodrigues dos Santos
O EFEITO DE SENTIDO DE IDENTIDADE NAS AUTOBIOGRAFIAS
DOS ABOLICIONISTAS LUIZ GAMA E FREDERICK DOUGLASS: UMA
ABORDAGEM SEMIÓTICA
Ana Amelia Barros Coelho
UM MODO DE LER OS PACTOS AUTOBIOGRÁFICOS DE PHILIPPE
LEJEUNE
Gustavo Walter Spandau
AUTO-FIGURAÇÃO E AUTO-FICÇÃO EM TEXTOS ÍNTIMOS. ALGUNS
ASPECTOS NAS OBRAS DE RODOLFO WALSH Y JOHN COETZEE.
Ivan Baycer Junior
LIBER TERTVLLIANI ADVERSVS VALENTINIANOS: TRADUÇÃO E
ANÁLISE DA CONSTRUÇÃO DO EU DISCURSIVO E DA LEGITIMAÇÃO
DO AUTOR E SUA FÉ.
Patricia Cristina Biazão Manzato
A CORRESPONDÊNCIA DE STEFAN ZWEIG: UMA PESQUISA EM
ARQUIVOS LITERÁRIOS
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Universidade Guimarães Rosa
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A novela das coisas
O 20º seminário do Grupo Criação e Crítica é, na verdade, uma novela. A cada dia, divulgamos um capítulo da tese intitulada “a pesquisa infinita das coisas”, de Manlio Speranzini.
Você pode ajudar a decidir o final desta trama no dia 16/09, às 16h, na sala 108 (prédio de Letras). Confira os capítulos já divulgados:
Capítulo 1 – A acumulação ou só o que aumenta
Segunda-feira, 12/09: No Capítulo de hoje, você conhecerá Jerôme e Sylvie, um casal apático que sonha com riqueza e que acredita piamente que dinheiro é felicidade. Perec é um personagem um pouco insólito, que brinca de escritor e que ficará amigo de Barthes, um crítico nada claro, diga-se de passagem. Perec também confessará que já flertou com Brecht e com Flaubert e que gosta de ler revistas tipo Casa Claudia. Também aparecerá um certo Arman, colecionador obsessivo que transforma cacarecos em arte e que poderia muito bem ser um dos personagens do escritor Perec.
Capítulo 2 – A coleção, ou, o que ainda falta
Terça-feira, 13/09: Neste capítulo, você vai lembrar do personagem-escritor Georges Perec, que vai se lembrar de vários projetos sobre lugares, com o objetivo justamente de se lembrar de lugares onde dormiu, lugares que deseja esgotar, lugares por onde passou. Para isso, você vai lembrar que Perec fazia parte de um grupo, o Oulipo, cujos membros são aficcionados por regras e procedimentos formais. Como seus colegas, Georges Perec é uma figura obsessiva, que fica se questionando o tempo todo sobre coisinhas mínimas do cotidiano que ninguém se lembra de questionar, por exemplo, “será que meu gilete sempre foi assim?”. Você vai conhecer a técnica de Perec para eliminar “p’los das palavras”. Brainard surge como um personagem meio deslocado e que, à sua maneira, também vê pelo em ovo. Ele é apaixonado por Nancy, uma menina totalmente sem sal e sem personalidade. Não se engane, ela vai tentar seduzir você também. E você vai lembrar que quase esqueceu o que estava
fazendo antes e vai voltar a colecionar lembranças.
Capítulo 3
Quarta-feira, 14/09: A emissora não divulgou a sinopse deste capítulo.
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Um tempo de literatura desassossegada?
O Itaú Cultural promove esta semana o VI Encontros de Interrogação, que busca discutir as intranquilidades da produção literária contemporânea. Mais de 50 escritores participam das 11 mesas divididas entre os dias 7, 8 e 9 de setembro. Uma delas em homenagem à escritora Lygia Fagundes Telles, que também estará presente no evento. Confira a programação no site.
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Seminário de Pesquisa: “Os diários de Guimarães Rosa”
Mais um seminário de Pesquisa do grupo Criação e Crítica.
Nesta sexta-feira, dia 26 de agosto, 16hs na sala 131 do prédio de Letras (USP) (a confirmar).
Título do seminário: “Os diários de Guimarães Rosa”
Por Mônica Gama.
Mais informações no site da revista: www.fflch.usp.br/dlm/criacaoecritica
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Mulher & Literatura (ou as aventuras de Naná no mundo do gênero – parte II)
Começou com humor. A INFRAERO me fez despachar meu pôster. Madeira mata, foi essa a justificativa. Eu comecei a rir. A cena
hipotética em que eu cometo nos ares um crime cuja arma é um pôster de pesquisa intitulado Rostos do Gozo, àquela hora da manhã, não poderia provocar nada senão riso. Despachei como frágil - porque isso também me fez rir boba.
Brasília é uma cidade quente. Sabia disso, mas não esperava aquele calor. Também não esperava uma cidade sem calçadas. E também não esperava ter que ir para a UnB um dia antes do início do congresso para pendurar meu pôster, mas eles avisaram encarecidamente 24horas antes que era isto que eu deveria fazer. E Brasília era quente. E ventava. Eu deveria ir ao Centro Comunitário Athos Bulcão. E esse lugar, esse lugar era especialmente quente, pois era a céu aberto, coberto por uma espécie de lona. Chegamos – eu, a namorada e o pôster assassino, porém frágil. A professora responsável pela apresentação de pôsteres corria de um lado para o outro – o vento derrubava os pôsteres já pendurados no chão e ela, esbaforida, tentava reverter a situação. Entreguei a tal arma nas mãos dela e fui procurar meu hotel, cujo endereço era: SQN Qq 02 Bloco N. Mas antes disso, em meio ao pânico de ver pôsteres voando, ela me disse que eu deveria estar ali de novo no dia seguinte, às 14horas. E lá eu deveria ficar até às 18hrs. Uma tal comissão avaliadora ia dar nota para todos os pôsteres e eu deveria estar ao lado do meu para que eles me fizessem perguntas. Os três primeiros colocados ganhavam um prêmio. Não sou simpática à prêmios que se declaram prêmios. E nem à avaliadores que se chamam de avaliadores. Mas tudo bem, faz parte.
No dia seguinte, logo percebemos: o ENUDS acostuma mal. Não tinha cerveja no credenciamento. E não me deram pulserinhas para festas que comemoram a diversidade sexual. E não ilustravam os balcões fotos dos sexos de cada um dos sexos. Mas me deram um livrinho simpático onde estávamos eu e meu pôster figurando em algumas linhas breves, que eu mesma escrevi sem grandes pretensões. Fiz o cronograma. Muitas mesas em que eu queria estar, muitas mulheres que eu queria ver falar. Mas tinha que ficar com o pôster naquele dia. Adeus, Susana Funck, adeus.
O primeiro avaliador passou. Fez perguntas desinteressadas, mas sorriu simpático. E eu falei simpática. A segunda avaliadora passou – me deu puxão de orelha: “Seu pôster está lindo, mas não tem introdução, metodologia, desenvolvimento e conclusão“. Tem sim, moça, é só ler direito. Mas falei simpática, de novo. Os títulos não estavam ali, é verdade, mas tudo isso estava ali.
No tempo entre-avaliadores, fiz amizades. Revi amizades de congressos passados. O mundo dos estudos de gênero é um feudo pequenino – é fácil ter reencontros e cumprimentar com ares de quem realmente sabe algo sobre aquele outro. A moça do pôster do lado, a Pollyanna, me deu aquela tarde no ENUDS, com outras duas professoras. Lembram? Aquela em que numa sala fechada lésbicas estudantes de gênero e/ou militantes fizeram alguns pactos – entre elas, eu. A Pollyanna é também aquela moça que fez uma intervenção artística durante uma mesa redonda – tirou a roupa recitando poemas. Gosto muito da Pollyanna. Gostaria que ela sempre fosse minha vizinha nesse feudo pequenino.
Veio outro avaliador. Pediu para eu falar do meu trabalho. Falei simpática, de novo. E disse: “Eu gostei de você não ter feito na forma clássi/ Você é orientanda da Claudia?”. Sou, sou sim, moço. Ele se riu, não sabia que a Claudia orientava trabalhos de gênero. Orienta o meu, moço. E abriu sorriso largo: “Fiz USP na mesma época que ela. Fala pra ela que você me encontrou, manda um beijo. Paulo, da hispano-americana. Ou Paulo da UnB. Ela deve lembrar. E você não fez o pôster no formato clássico”. É, eu sou orientanda da Claudia. Ele disse que gostou, que foi prazeroso ler um pôster diferente. Isso me deixou suficientemente feliz. E meu dia se encerrou.
O dia seguinte começou com palestra da Sidonie Smith: “Novos gêneros literários, novos sujeitos: Mulher, gênero e autobiografia depois de 2000″. E ela falou coisas bonitas. E fez análises bonitas. E falou do Persepolis e do Fun Home. E eu pensei na aula da Ana Amélia, naquele começo de trajeto meu, em Introdução à Literatura Francesa, em que eu não tinha pesquisas-arma fora do formato padrão e em que a Claudia não me orientava não, moço, e que parece residir num passado distante, mas foi logo ontem.
Decidi que em qualquer congresso que eu vá, pelo menos alguma coisa sem ligação direta com a pesquisa, mas ligação direta comigo e só comigo, eu iria assistir. Fui à uma mesa onde mulheres acadêmicas e escritoras falariam de suas trajetórias. E fiquei lá, sentadinha, assistindo o que foram as falas mais bonitas que já ouvi – em congresso ou alhures.
Parti para a Comunicação Coordenada de Escritas de Si. E por lá fiquei, porque por lá sempre estou. Ninguém me encantou. Discordei de muita gente, para falar a verdade. Mas gostei de estar ali. E alguém tem que falar que a literatura não está acima do bem e do mal, como insinuaram. E que há sim uma escrita feminina e isso, isso não significa de forma alguma que a mulher é menos que o homem e não merece igualdade ou menos consideração. Reconhecer a diferença não é declarar inferioridade. Vamos lá, gente, menos Simone mais Cixous, por favor, 2011. E não citem Butler à toa, não citem Butler só porque ela está na moda e é relativamente recente. Você não será menos ultrapassada no tal do gender studies se citar Butler sem realmente entender Butler. Alguém tinha que falar. As fundadoras do feudo pequenino tropeçam. Não tem problema. Mas não citem Butler porque vai pegar bem com a garotada. Citem Butler porque ali Butler deve ser citada. Performatividade de gênero soa bonito. Mas, caras senhoras, vocês realmente entenderam o que é performatividade de gênero? E a Wittig todo mundo esquece. E a Wittig soa muito bonito também. Mas não está mais na moda. A Butler acabou com ela e deu golpe de estado. Mas também acabou com a Simone – então estamos simoneando a troco de que? Ou é uma coisa ou é outra. A garotada não é boba, talvez um tanto irritadiça, mas não é boba. Teve quem concordasse comigo.
Pollyanna foi a primeira colocada no tal concurso dos pôsteres. Uma vizinha graúda. E eu fui parar em um bar gay para comemorar dois

Tentativa de foto a duas - mas não é fácil documentar uma lua-de-mel do gender studies quando somos só duas.
meses de namoro. Fui assaltada antes, o que é realmente incrível de se acontecer numa cidade sem calçadas. Mas vamos nos apegar à lembrança boa do bar gay com os drinks com nomes de divas do pop. Tomei duas Shakiras e duas Rihannas.
Na última noite, noite em que comprei tudo o que havia de alcoólico no hotel simplesinho de endereço esquisito (6 cervejas, para que vocês não pensem que exagero demais, eram tudo que o hotel tinha de alcoólico): uma foto com o pôster, com cara e composição dramáticas, porque vai que, vai que você também um dia não dá golpe de estado no feudo – e aí tem que ter foto da juventude com cara dramática:
E voltamos para casa eu e o pôster desformatado. Com ideias de motins e golpes de estado.
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Medo, desespero, aversão, ignorância – tadinha da teoria
“embora tenhamos dezenas de professores de teoria, a prática teórica na verdade inexiste entre nós”. ’A praga do beletrismo”, L. Costa Lima
Estamos preparando no grupo discussões sobre os seguintes textos do Luiz Costa Lima:
1. ”Quem tem medo de teoria?”; 2. ”Questionamento da crítica literária”; 3. ”Da existência precária: o sistema intelectual no Brasil” 4. “A praga do beletrismo”
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